CAMPEÃO NACIONAL

Parque Social leva a maior premiação de recursos humanos do país, o prêmio Oswaldo Checchia 2019

O Parque Social é campeão nacional. A organização criada em Salvador há seis anos levou, nesta terça-feira (10), o maior prêmio de Recursos Humanos do país, o Prêmio Nacional Oswaldo Checchia 2019, pelo seu trabalho com o Programa Comunidade Empreende (PCE). Em meio a outras iniciativas, a instituição foi congratulada na modalidade Sustentabilidade devido às boas práticas que fazem diferença dentro e fora das organizações.

Esta já é a terceira vez consecutiva que o Parque Social recebe a condecoração da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), mas antes o destaque tinha sido só em nível estadual. Nesta edição, chegou ao topo nacional.

Descrito como um projeto de empreendedorismo social, o Comunidade Empreende incentiva indivíduos a criarem soluções inovadoras para problemas de suas comunidades. De acordo com a presidente de honra do Parque Social, Rosário Magalhães, esse prêmio é o reconhecimento e a consolidação de um trabalho diferenciado que a instituição tem desenvolvido.

“Este prêmio é um estímulo para continuarmos desenvolvendo tecnologias de amplo alcance e de impacto social, sempre com o propósito de promover maior inclusão e redução das desigualdades sociais”, destacou a presidente. O programa já foi realizado no Bairro da Paz, Centro Histórico e Nordeste de Amaralina.

Responsável por receber o prêmio, a diretora técnica da instituição, Sandra Paranhos, apontou o empreendedorismo como o foco principal das ações do Parque Social. “O empreendedorismo é um potencial que as pessoas têm e nós estamos dispostos a ajudar a desenvolver isso nelas e nas comunidades. O Parque faz as pessoas se desenvolverem enquanto sujeitos capazes de transformar”, disse.

O Comunidade Empreende terminou no ano passado e ainda não tem previsão de quando será retomado. Enquanto isso, o Parque Social continua desenvolvendo atividades em projetos como o Empreendedor Digital, voltado para jovens, e o Líder Empreendedor Social, com um público bastante diverso, formado em sua maioria por atores sociais de bairros da cidade.

Negócios nas redes

Educador no projeto Empreendedor Digital, Elson Barbosa, ensina adolescentes sobre como desenvolver negócios e ideias a partir das redes sociais. Ele destacou o exemplo de um aluno de Cajazeiras que criou uma conta no Instagram para ajudar a mãe a vender melhor o geladinho gourmet que é fonte de renda da família. Os estudantes aprendem, ainda, a criar a marca que vai dar cara ao negócio e produzem peças gráficas para as plataformas sociais usando um software gratuito.

“Eles abrem a visão. Se antes achavam que rede social era só para publicar coisas pessoais, da vida privada, aqui eles percebem que dá para empreender através delas e aprendem, também, a diferença de perfil pessoal e profissional”, garantiu o professor.

Participantes de uma das turmas do projeto, um grupo de seis amigos apostou em criar a identidade e a conta de uma loja de brindes que eles querem montar, a Brindes SSA. Para isso, Jonatan Santos, 16, um dos membros, conta que tem feito análise de uma marca concorrente.

“A gente vê o que eles estão fazendo. A gente também faz um perfil do nosso consumidor, se ele é jovem, por exemplo”, explicou o estudante que está desenvolvendo a empresa junto com os colegas Lana Barbosa, 14, Nicolle Teles, 14, Clara Cerqueira, 15, Carlos Daniel Lima, 14 e Mayumi Brotas, 15.

Até março de 2020, o Parque Social espera atender 400 adolescentes nesse curso, que tem duração de três meses. As inscrições para a próxima turma do Empreendedor Digital estão abertas até o dia 17 de dezembro através do site www.parquesocial.org.br e também presencialmente, na sede da instituição, no Parque da Cidade, no Itaigara.

Desenvolvendo líderes

Enquanto a galerinha se joga na internet, os adultos e idosos se movimentam no curso Líder Empreendedor Social, que capacita líderes de comunidades a fazerem elaboração de projetos voltados para os locais onde vivem ou atuam. Lá, eles aprendem sobre legislação, como buscar recursos e parcerias, prestação de contas e comunicação do projeto.

“No final eles entregam um projeto com introdução, justificativa, metas, objetivos gerais e específicos, orçamento. Então, é um projeto completo para que possam fazer intervenções sociais a partir do que eles enxergam como problema social em suas comunidades”, contou a educadora Gleise Oliveira.

Recém-formada neste curso, a estudante de serviço social, Claudete Machado, 51, desenvolveu um projeto chamado Usar e Reinventar, que leva técnicas de reciclagem para o local onde mora, o conjunto habitacional Lagoa da Paixão, em Valéria. Com o apoio dos moradores e de conhecidos da sua igreja, ela vem utilizando resíduos para produzir utensílios domésticos e brinquedos para a meninada do condomínio.

“Antes eu só tinha a ideia. Escrevendo, eu aprendi como colocar em prática. Agora mesmo, está prevista uma ação com crianças da Fazenda Coutos para fazer brinquedos. Como é uma época de Natal, vamos ensinar eles a fazer brinquedos. A garrafa PET, ao invés de jogar no lixo comum, posso dar uma forma à ela”, revelou.

Além de projetos como o dela, já saíram de lá projetos voltados ao combate da violência doméstica contra a mulher; à criação de creches comunitárias e à promoção da saúde relacionada à prevenção da dengue. Este curso tem vagas abertas durante todo o ano e em 2020 haverá mais duas turmas.

A coordenadora do curso, Cléo Antelo, contou que este programa atende 80 alunos por ano, mas o efeito replicador dele impacta outras pessoas. “Cada projeto que esses 80 escrevem vai atender muitas famílias. É um projeto que tem como beneficiário final diversas comunidades de Salvador. Então, percebemos que essa semente de conhecimento que a gente planta, germina e dá frutos”, garantiu.

Matéria publicada no jornal Correio em 11-12-19*

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