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Cresce a cidadania participativa. E agora?

Aldo Ramon Almeida

Embora seja um exercício de cidadania, o voto não é a única forma de selar o destino social. Um exercício feito a cada quatro anos não energiza nem revigora uma sociedade cada vez mais urbana, complexa e exigente ao sinalizar seus legítimos anseios.

Segundo o IBGE, nos últimos 50 anos a população urbana brasileira foi de 32 para 161 milhões de pessoas (há 30 milhões na área rural). As cidades da Bahia saltaram de 2 para 10 milhões de habitantes (4 milhões na zona rural), aproximando critérios de população recenseada e residente. Em percentuais, o crescimento é mais contundente, passando a população urbana brasileira de 45% em 1960, para 84% em 2010. Na Bahia o índice dobrou de 35% para 72% e em Salvador a vida na urbe atinge hoje 99%.

A concentração urbana facilita a rápida aproximação de pessoas que aspiram ideias comuns, expondo, em pouco tempo, vários problemas urbanos para soluções igualmente céleres e definitivas. As redes sociais impressionam pela eficácia de comunicação, ocupando, a cidadania participativa, espaços antes delegados à democracia representativa. Perde força a superada postura cidadã dependente do estado provedor e cresce a atitude proativa que almeja contribuir, rompendo o silêncio de quem imaginava saber sem consultar.

O fenômeno torna-se promissor nas democracias que aproveitam a energia pujante da própria luta pela participação, onde o diálogo aberto, o compromisso sincero, a decisão ágil e a ação construtiva constituem meios para gerar benefícios coletivos e solidificar a própria democracia.

Os movimentos se expressam não apenas nas mobilizações de rua com reivindicações e defesa de causas, mas também na apresentação de projetos estruturantes para o desenvolvimento socioeconômico sustentável, na conscientização social em campanhas educativas que sensibilizam o cidadão a zelar pela sua cidade e no controle social que acompanha a gestão pública e monitora a evolução de indicadores na aplicação transparente de recursos públicos.

O Instituto Movimenta Salvador, como um centro de estudos e debates, numa conduta inclusiva e apartidária, oferece recomendações efetivas e soluções de impacto para a cidade, dando visibilidade à situação atual, focando boas práticas e acolhendo sugestões de especialistas para influenciar na implantação de projetos urbanos em benefício da sociedade soteropolitana.

São esforços legítimos que exigem, dos protagonistas que influenciam atitude propositiva com liberdade e responsabilidade, e, daqueles que decidem respostas precisas e diligentes, na utopia de transformar uma sociedade de interesses numa sociedade de princípios.

A abertura de informações públicas em larga escala e a oitiva social, fomentam o espírito da governança, no qual os setores da economia se aproximam na busca de soluções comuns e de interesse coletivo. Compartilhar responsabilidades é fundamental para que todos possam ver as cidades como bens públicos que favorecem a expressão dos deveres e direitos humanos.

E agora? Claro que há um cidadão por detrás do leitor e a “coisa pública” também lhe pertence. Que possam ser bem utilizados, por todos, os 1.460 dias que existem entre as eleições quadrienais ou 730 nas bianuais, sem esquecer, é claro, o dia do voto, consciente, imprescindível.


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